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Sexo Seguro? - EB

Revista : “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 497 – Ano : 2003 – Pág. 502

SEXO SEGURO ?

Em síntese: Está comprovado por pesquisas diversas que os preservativos de vários tipos não garantem sexo seguro, mas admitem cerca de 10% de falhas. Em conseqüência, quanto mais se faz propaganda de sexo seguro, tanto mais se induz a juventude ao risco de contrair AIDS. Muito mais profícuo é apregoar controle sexual e abstinência de relação sexuais extra-conjugais.

O Pontifício Conselho para a Família publicou um Lexikon de termos ambíguos e discutidos sobre a vida e questões éticas. Entre os vários artigos desta obra encontra-se o do Dr. Jacques Suaudeau intitulado Sesso sicuro (Sexo Seguro) às pp. 795-817. Trata-se de um trabalho solidamente documentado, que em sua primeira parte aborda os resultados de numerosas pesquisas e em sua Segunda parte propõe reflexões sobre o assunto. Visto serem estas muito oportunas no Brasil de hoje, vamos, a seguir, expô-las sinteticamente.

1. O Autor

Jacques Suaudeau é médico pela Universidade de Lião (França), onde também se doutorou em Filosofia. Trabalhou e exerceu pesquisas em diversos hospitais dos Estados Unidos. Doutorou-se outrossim em Teologia Moral pela Universidade Gregoriana de Roma e seguiu Cursos de Teologia no Institut Catholique de Paris. Atualmente é oficial do Pontifício Conselho para a Família. Tem várias obras publicadas. Vê-se, pois, que tem autoridade para se pronunciar sobre a temática “Sexo Seguro”.

2. Que sugerem as pesquisas ?

O Dr. Suaudeau expõe os resultados de numerosas pesquisas realizadas a respeito do uso da camisinha, todos documentos com precisão, e conclui:

O preservativo, por mais que tenha sido aprimorado pela indústria (utilizando látex mais adequado), é incapaz de garantir sexo seguro. Na verdade ele é , em média, 10% falho. Esta porcentagem pode variar nas diversas pesquisas, pois depende do estilo de vida dos grupos pesquisados; há os que se arriscam mais, como existem grupos menos avançados que restringem a promiscuidade sexual, o número de parceiros, as práticas homossexuais ... Diz textualmente Suaudeau: “Não existe autêntico safe Sex fora da fidelidade conjugal, a qual torna inútil o preservativo” (p. 814).

Quanto às campanhas ditas “de sexo seguro” ou em favor do preservativo, podem até Ter efeitos negativos ou daninhos, isto é, opostos ao que se deseja. É o que se deduz de recentes pesquisas realizadas pela University College Medical School de Londres; referem-se ao uso do cinto de segurança na Inglaterra: as campanhas em prol do mesmo provocaram aumento de vítimas de acidentes rodoviários em virtude da impressão de segurança associada ao uso do cinto. O mesmo pode acontecer em conseqüência das campanhas de sexo seguro, como observam N. hearst e S. B. Hulley do Center for AIDS Prevention Studies da Universidade da Califórnia em San Francisco. Ver a propósito

J. Richens – J. Inrie - A. copas. “Condoms and Seat Belts: the Parallels and the Lessons”, in Lancet 355 (2000) 9201, 400-403.

N. Hearst – S. B. Hulley. “Preventing the Heterosexual Spread of AIDS. Are We Giving Our Patients the Best Advice?” in JAMA 259 (1988) 16, 2428-2432, em particular 2431.

Aliás o efeito negativo indesejado parecer ter ocorrido realmente, conforme relatório apresentado por I. Levin e colaboradores em 1995 sobre o contágio do HIV em ambientes militares: o preservativo utilizado pelos militares nos seus encontros homossexuais não somente não impedia a infecção do HIV, mas a facilitava, pois aqueles que confiavam no preservativo multiplicavam seus parceiros e suas experiências sexuais. Ver Levin – Peterman – Renzulio – Lasley-Bibbs Xiao-ou Shu – Brundage – Mac Neil, “HIV-1 Sero conversion and Risk Behaviors among Young Men in the US Amy”, 1500-1506.

Segue-se breve palavra sobre Saúde Sexual.

Usar preservativo significa efetuar uma ação arriscada procurando evitar o risco, significa remediar a uma situação ameaçadora. Ora a sabedoria popular ensina que é melhor prevenir do que remediar. E prevenir depende do comportamento das pessoas interessadas. Tenha-se em vista a febre tifóide: uma determinada população por ela ameaçada resolveu prevenir-se, e conseguiu fazê-lo porque cada família passou a controlar o tipo de água que bebia. Algo de semelhante pode ocorrer com a AIDS; remediar mediante o uso de preservativo nunca extinguirá uma epidemia de AIDS; para tanto requer-se uma medida mais radical, relacionada com o comportamento dos interessados, a saber: uma sexualidade, vivenciada na castidade pré-matrimonial e, posteriormente, no contexto da vida conjugal. É impossível evitar o transbordamento de um rio mediante sacos de areia depois que se destruíram os diques respectivos. Assim em vez de apregoar safe Sex, proclame-se saúde sexual.
Acontece que de antemão os programas de combate à AIDS excluíram falar de castidade conjugal e de abstinência de relações extraconjugais. Alegavam (e ainda alegam) os responsáveis que castidade é uma utopia e que não compete às autoridades civis entrar em questões de vida íntima dos cidadãos, principalmente nos tempos atuais, quando o erotismo se acha tão em voga. Ocorre, porém, nesse mesmo mundo erotizado uma reação espontânea da juventude frente à promiscuidade sexual. O caso mais típico é o de Uganda, onde a epidemia da AIDS baixou seus porcentuais não por causa do uso da camisinha, mas por mudança do comportamento dos jovens: 56 deles entre 15 e 19 anos declararam ainda não ter praticado relações sexuais. Apregoar medidas preventivas contra a AIDS não eqüivale a fazer um moralismo despropositado, mas significa atender ao verdadeiro bem da população, como ensina a experiência.

Em conclusão: após quanto foi dito, vê-se que recomendar o preservativo implica recomendar a roleta russa: a persuasão de sexo seguro aumentará as experiências sexuais e crescerá, ao mesmo tempo, a probabilidade de contágio; propagar-se-á assim o HIV. Não existe safe Sex, o que existe é uma curva de probabilidade com uma espada de Dâmoces, que a cada momento pode cair sobre a cabeça de quantos confiam na dita “profilaxia” do preservativo. O caso da camisinha é comparável a um tipo de avião do qual 10% caem por terra, matando seus passageiros. Quantos viajantes preferirão esse tipo de avião a outro mais seguro ?

Em suma: todos os autores que se interessam pela prevenção da AIDS concordam num ponto: somente uma mudança radical na conduta sexual de jovens e adultos pode proporcionar proteção real e total contra a epidemia da AIDS, e tal mudança implicará abstinência de toda conduta temerária ou arriscada.

Suaudeau termina citando uma sentença do Center for Disease Control de Atlanta:

“Abstinence and sexual intercourse with one mutually falthful uninfected partner are the only totaly prevention strategies – Abstinência e intercâmbio com um(a) parceiro(a) não infectado(a) em mútua fidelidade são a única estratégia totalmente preventiva” (Condoms for Prevention of Sexually Transmitted Diseases 133).

3. A mesma notícia via Internet

A Redação de PR recebeu por via eletrônica a seguinte mensagem:
Relatório da ONU aumenta o debate sobre as camisinhas.
Taxa de falha com relação ao HIV é de 10%
By John Donnelly, Globe Staff, 6/22/2003-11-27

Washington – “Um relatório preliminar feito para a agência da ONU que trata da AIDS descobriu que, mesmo quando as pessoas usam a camisinha regularmente, a taxa de falha na proteção contra o HIV está aproximadamente em 10%, colocando estas pessoas num risco maior do que aquele mostrado por muitos grupos defensores da camisinha.
O relatório, que pesquisou duas décadas de literatura científica sobre as camisinhas, provavelmente irá botar lenha na fogueira na já esquentada batalha sobre a política dos EUA em combater a AIDS nos países em desenvolvimento.
O debate é entre os defensores da abstinência, que dizem que o governo Bush deve abandonar ou reduzir drásticamente a promoção da camisinha, e os especialistas da saúde, que dizem que as camisinhas têm um papel essencial na prevenção da AIDS. A doença já matou mais de 20 milhões de pessoas no mundo todo e no momento 42 milhões de pessoas estão infectadas.
Em relatórios anteriores, a eficácia da camisinha contra o HIV, o vírus que causa a AIDS, foi amplamente estimada entre 46% e 100%. Muitos defensores da camisinha disseram que ela oferece cerca de 100% de proteção quando usada corretamente.
UNAIDS expressou esperança de que o relatório, que foi visto pelo Jornal Globe (de Boston), não só esclareça a confusão sobre a eficácia da camisinha, mas também ajude a educar as pessoas nos EUA e no mundo todo sobre como usar as camisinhas de forma apropriada.
As conclusões não significam que, de cada dez, uma camisinha é defeituosa, mas, pelo contrário, que alguma coisa deu errado em cerca de 10% de uso. Em muitos casos, dizem os especialistas, o erro humano é a causa da falha, resultando em camisinhas que saem do lugar, se rompem, ou não são colocadas no momento necessário.
O relatório também disse que a taxa da falha na proteção contra o HIV é provavelmente a mesma na prevenção da gravidez.
Uma chance de falha em cada dez “não é bom o suficiente para uma doença fatal”, disse Green. “A forma como as camisinhas são comercializadas na África e em outras partes em desenvolvimento no mundo é como se elas fossem 100% seguras. As camisinhas com nomes de Shield (escudo) e Protector (protetor) dão a impressão de que são 100% seguras.
Shepherd Smith, presidente do Institute for Youth Development, um grupo que defende a abstinência, também disse que este relatório preliminar e outros relatórios devem levar a uma avaliação dos esforços de prevenção do HIV.




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